sobre respirar.
demora em torno de cinco segundos para que ela crie forças pra respirar, e mesmo quando respira nunca é suficiente.
ela me disse que a sensação é como se o peito estivesse cheio, e que ar nenhum coubesse mais lá.
como assim nenhum ar cabe mais lá?
pois é.
como respirar é difícil em todos os momentos, ela decidiu que iria respirar o que o corpo dela pedisse. mas não entendi muito bem, e quando questionei, ela também não sabia responder.
pra mim respirar é como uma obrigação poética.
poética mórbida na verdade pois o ar nos faz viver mas é justamente o que nos faz morrer também.
mas respirar é essencial.
é como se ela estivesse cheia, tão cheia que o ar mesmo com força não conseguisse entrar.
e isso me fez pensar na vida dela (e consequentemente na minha também)
o que eu acho mais interessante é que o ar que respiramos hoje é o mesmo que respiramos a 10 anos atrás. porque então ela respirava tão bem a 10 anos atrás e agora não mais?
perguntei exatamente isso a ela e por um longo tempo o silêncio tomou conta do espaço. acho que ela não sabia se na verdade o ar que ela respirava a 10 anos atrás era o mesmo sentimento do que respirava hoje. mas pensando bem, nem eu sei.
depois do silêncio ela me faz uma pergunta, que eu me questionei internamente se era correto responder, mas respondi.
ela me perguntou se eu respirava bem. e a resposta por incrível que pareça era que não.
a vida não permite que nós respiraremos bem. mas respondi a ela que os momentos que eu mais respiro bem se resumem a todos os momentos em que eu estou só fazendo algo que me cause o minimo de prazer.
neste momento eu respiro bem.
quando se esta só, o se bastar vale a respiração completa.
ao terminar de falar sobre isso novamente o silêncio apareceu (e eu o respeitei)
acho que o meu lugar preferido é o meu apartamento com a janela da sala aberta com vista pro céu iluminado, está tocando uma música na vitrola, eu estou sentada com minha xícara de chá observando o incenso queimando na mesinha de canto. um cheiro gostoso de lavanda está no ambiente. ali, bem ali eu consigo respirar.
eu respiro paz.
ela me falou isso com uma emoção intensa, uma emoção tão forte que conseguiu me teletransportar para o mesmo ambiente.
o problema é que essa paz que eu tanto recorro não existe, ela finalizou.
pois eu bem sabia disso, afinal. este lugar preferido também me pertencia.
ela me disse que a sensação é como se o peito estivesse cheio, e que ar nenhum coubesse mais lá.
como assim nenhum ar cabe mais lá?
pois é.
como respirar é difícil em todos os momentos, ela decidiu que iria respirar o que o corpo dela pedisse. mas não entendi muito bem, e quando questionei, ela também não sabia responder.
pra mim respirar é como uma obrigação poética.
poética mórbida na verdade pois o ar nos faz viver mas é justamente o que nos faz morrer também.
mas respirar é essencial.
é como se ela estivesse cheia, tão cheia que o ar mesmo com força não conseguisse entrar.
e isso me fez pensar na vida dela (e consequentemente na minha também)
o que eu acho mais interessante é que o ar que respiramos hoje é o mesmo que respiramos a 10 anos atrás. porque então ela respirava tão bem a 10 anos atrás e agora não mais?
perguntei exatamente isso a ela e por um longo tempo o silêncio tomou conta do espaço. acho que ela não sabia se na verdade o ar que ela respirava a 10 anos atrás era o mesmo sentimento do que respirava hoje. mas pensando bem, nem eu sei.
depois do silêncio ela me faz uma pergunta, que eu me questionei internamente se era correto responder, mas respondi.
ela me perguntou se eu respirava bem. e a resposta por incrível que pareça era que não.
a vida não permite que nós respiraremos bem. mas respondi a ela que os momentos que eu mais respiro bem se resumem a todos os momentos em que eu estou só fazendo algo que me cause o minimo de prazer.
neste momento eu respiro bem.
quando se esta só, o se bastar vale a respiração completa.
ao terminar de falar sobre isso novamente o silêncio apareceu (e eu o respeitei)
acho que o meu lugar preferido é o meu apartamento com a janela da sala aberta com vista pro céu iluminado, está tocando uma música na vitrola, eu estou sentada com minha xícara de chá observando o incenso queimando na mesinha de canto. um cheiro gostoso de lavanda está no ambiente. ali, bem ali eu consigo respirar.
eu respiro paz.
ela me falou isso com uma emoção intensa, uma emoção tão forte que conseguiu me teletransportar para o mesmo ambiente.
o problema é que essa paz que eu tanto recorro não existe, ela finalizou.
pois eu bem sabia disso, afinal. este lugar preferido também me pertencia.
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